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sábado, 12 de outubro de 2013
Igrejas também morrem
É estranho falar isso. Mas igrejas também morrem. É estranho principalmente quando entendemos que a igreja sou eu e você. Mas se a igreja somos nós, então como a igreja pode morrer?
Eu faço uso de um exemplo simples para uma comparação. Pesquisando sobre a palavra morte encontrei este significado :
" cessamento das atividades biológicas necessárias à caracterização e manutenção da vida em um sistema outrora classificado como vivo "
Um ser vivo, possui atividades que o caracterizam como vivo. Essas atividades são essenciais para a manutenção da vida, sem as quais podemos dizer que eles está morto. Para simplificar ainda mais. Alguém que morreu, é alguém que não cumpre as funções que o mantém vivo. Uma pessoa morta, não se alimenta mais, não consome água, não caminha, não vê, não ouve e não sente, coisas que seres vivos fazem naturalmente.
Com a igreja não é muito diferente. Uma igreja morta é aquela que não compre com as funções que a caracterizam como viva. E que funções são essas ?
A principal função de uma igreja é pregar o evangelho. Nas palavras de Dietrich Bonhoeffer, "igreja só é igreja, quando o é para os outros", ou seja; para os de fora. É comum a nós saber que a palavra Igreja provém do grego ekklesia que significa literalmente, chamados para fora. Então, a primeira e função de uma igreja é pregar o evangelho àqueles que ainda não fazem parte do Reino de Deus. Uma igreja que não tem como prioridade na sua agenda anunciar a boa noticia da salvação aos que ainda não se renderam a graça salvífica, está morrendo. E caso ela não faça isso mais, ela está morta.
Outra função da igreja conforme vemos nas epistolas apostólicas, é a prática de boas obras. E na carta aos cristãos de Éfeso Paulo deixa claro que fomos chamados por Deus para a prática das boas obras. Tiago, Irmão de Jesus, ainda vai dizer que a fé sem obras é morta. Que obras são essas ? De forma clara e direta, é dar o pão ao faminto, acolher a viúva e os órfãos, cuidar dos enfermos, estender a mão aos pobres, zelar pela família e pela prática dos valores cristãos como amor, respeito, honra, hospitalidade, solidariedade entre outros. Uma igreja que não consegue viver essa prática, também está morrendo ou já se encontra em óbito.
Acima de tudo, o principal objetivo da igreja é agradar Àquele que a chamou das trevas para a luz. Assim como uma esposa se esforça para agradar ao seu esposo, assim a igreja o faz para com Cristo. Mas como agradá-lo se nem mesmo cumprimos as duas coisas básicas, essenciais que Ele nos comissionou ?
A principal característica de uma igreja morta é a manutenção de seus integrantes. Estes, que geralmente são famílias e amigos que insistem em viver a religiosidade vazia sem a prática das características de uma igreja viva e sadia.
Infelizmente igrejas morrem. E sim, a morte de uma igreja está fortemente ligada ao fato de sermos igreja. Ser igreja é viver uma vida com propósito de agradar a Deus e não a si mesmo.
Eu poderia estender esse texto, mas essa não é minha intenção. Então, precisamos começar uma analise em nós antes de tudo. Se eu sou igreja, eu tenho vivido verdadeiramente para Cristo anunciando o evangelho, fazendo discípulos ? quantos discípulos foram gerados através de mim no ultimo ano ? eu tenho amado o próximo e o acolhido ? ajudado ? dando suporte ? abrindo mão do meu conforto para dar não só o pão quem vem do céu mas o pão que mata a fome do dia a dia ? E finalmente, a comunidade que frequento, se preocupa com isso ? ou simplesmente nos tornamos um clube de pessoas que se veem aos domingos, talvez aos sábados no templo e não empenhamos tempo, recursos e esforços para alcançar os que precisam de fato ouvir a palavra ? essa comunidade gera discípulos ou simplesmente acolhe pessoas de outras denominações que estão insatisfeitas e encontram aqui razões que agradam seu próprio eu ?
Igrejas também morrem.
por:
David Almeida.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Igreja, estou fora ou estou dentro
Tive a oportunidade de ler essa semana o livro, "Igreja, tô fora", do Ricardo Agreste, escritor e pastor na Comunidade Presbiteriana Chácara primavera, localizada em Campinas-SP. Ao ter em mãos o pequeno livro de 118 páginas, publicado pela editora SOCEP, é impossível não ter algum sentimento em relação ao título que choca alguns e atrai outros.
O Assunto abordado é algo que vem sendo discutido por muitos lideres hoje, mas que ainda precisa de uma atenção e carinho especial, algo que o autor consegue fazer com uma linguagem clara e objetiva. Sendo assim, a leitura não foi nem um pouco cansativa e como acontece em bons livros, a cada página a vontade é de seguir lendo.
Ao todo temos cinco capítulos que tratam sobre a igreja e a situação dela na atualidade. Seu DNA, a cultura, a liderança, sua missão e finalmente, o que é igreja respectivamente. A questão predominante está relacionada ao interesse das pessoas pela espiritualidade, mas ao mesmo tempo a repulsão que elas tem pela igreja. Afinal, como a igreja local pode se tornar relevante ao mundo do século XXI mantendo-se Fiel a Jesus e a sua mensagem ?
A primeira coisa que precisamos lembrar e ter em mente é o DNA da igreja. Como ela surgiu e como ela era no seu inicio ? Se respondermos essa pergunta a luz da bíblia, veremos que a igreja em seu inicio, era composta por pecadores. Pessoas falhas que gradativamente tiveram suas vidas transformadas pelo Espirito Santo. As igrejas as quais Paulo destinava suas cartas, não eram igrejas onde todos os seus membros eram perfeitos, mas igrejas onde havia um povo justificado por Deus que estava em obras. A graça de Deus é o elemento chave para compreender que a igreja é um lugar onde pecadores são bem vindos, e que ali eles terão a oportunidade de serem lavados, santificados e justificados por Deus. O entendimento disso nos leva a manifestar mais humildade na visão que temos de nós mesmos, afinal todos somos falhos e temos um histórico de pecados no passado. Também nos leva ao relacionamentos com maior graça e um maior compromisso no cuidado mutuo. Onde cristãos se encorajam a seguir firme no processo de afastar-se da vida de pecado e buscar a vida nova em Cristo.
As igrejas em geral sempre almejam estar integradas a cultura. Mas o que ocorre muitas vezes é que a igreja é mudada pela cultura ao invés de acontecer uma mudança na cultura devido a influencia da igreja.
Os elementos culturais são divididos em dois grupos. No primeiro temos elementos de uma cultura marcada pela queda do homem. Mas temos também elementos que são reflexo dos seres humanos como criaturas de Deus são relacionais, racionais e criativos.
A igreja precisa identificar os pontos de contato na cultura e oportunidades de comunicar o evangelho as pessoas inseridas na cultura e ao mesmo tempo identificar as distorções e disfunções, confrontando o que leva os seres humanos a se afastarem de Deus. Um dos elementos que influenciam muito as igrejas é o consumismo. Igrejas tendem a se tornam lojas que vendam uma certa espiritualidade e por sua vez, as pessoas se comportam como clientes indo a igreja como se estivesse escolhendo uma prestadora de serviços religiosos. A liderança é um fator inquestionável, quando se fala de ser relevante e permanecer fieis a Cristo. O que mais vemos hoje é escândalos relacionados a lideres que não se comprometeram verdadeiramente com os princípios de Deus. Esse compromisso com certeza trará algum peso e desafios, mas não há nada melhor que permanecer fiel àquele que nos chamou.
Paralelo a liderança, está ainda a missão da igreja.
O foco da igreja é anunciar o evangelho aos que ainda não creram. Logo no inicio, vemos que a igreja sempre tendência a se tornar um clube preocupado mais com o bem estar de seus sócios do que uma instituição voltada para os de fora. Isso aconteceu na igreja de Jerusalém e Deus através da perseguição fez com que os primeiros cristãos não se tornassem um grupo fechado, mas que anunciasse o evangelho.
Ser igreja parte do ser cristão, do ser discípulo de Cristo. O ser igreja envolve compromisso com Deus e com a sua vontade. É ser uma comunidade dinâmica, sempre se movimentando e voltada para os de fora. É andar na disposição e capacitação do Espirito Santo. Isso requer muitas vezes abrir mão das nossas preferências e nos rendermos a vontade de Deus para nosso tempo e sociedade. Requer uma reavaliação da nossa atuação na cultura como igreja local e principalmente observar se como individuo, eu sou realmente um discípulo de Cristo, ou espero que a igreja exista em função das minhas preferencias.
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